Papo Sagrado: Giselle Teixeira dá dicas de como aproveitar o recesso escolar

Publicado em 12.07.2017 - Notícias, Papo Sagrado - Sem comentários

Antigamente brincávamos no quintal, na rua, na pracinha. Hoje nossas crianças e jovens vivem trancados nos apartamentos, no quarto, e “conectados” nas redes sociais, no videogame ou no tablet. É triste, mas, com a vida que levamos nesta grande metrópole, trocamos as brincadeiras nas ruas pelo isolamento em casa.

Acredito então que, no recesso de julho, os pais devem tentar oferecer aos filhos maior contato com a natureza, com as pessoas e com a cultura. Devem proporcionar momentos em que os jovens consigam movimentar-se, explorar seus sentidos (olfato, tato, paladar, audição, visão) e consequentemente trazer benefícios ao corpo e à mente.

Pode-se pensar que isso só é viável se viajarem. No entanto, os pais podem apelar para idas aos espaços abertos na cidade ou locais que hoje em dia já oferecem atividades dirigidas nessa época do ano. Se trabalham, o ideal é conseguir uma avó, ou a mãe de um colega para, por exemplo, acompanhar os jovens em um piquenique no Parque Lage, em uma tarde no Jardim Botânico, em uma ida ao teatro, ou até mesmo pesquisar uma colônia de férias para o filho. O importante é a criança interagir, divertir-se, gastar a energia que tem, em contato com seus pares e com a natureza.

O pesquisador americano Richard Louv reforça esse pensamento e usa o termo transtorno de déficit de natureza. Suas pesquisas e argumentos mostram que o ser humano precisa de experiências na natureza e que esse contato com seres vivos traz benefícios ao rendimento acadêmico e à vida como um todo. Para ele, doses de natureza são fundamentais para compensar os efeitos mentais e físicos de nossa imersão tecnológica.

O aumento da obesidade, da depressão, do déficit de atenção – tudo isso é também consequência da falta de diálogo e de vida ao ar livre, do excesso de confinamento dentro de casa. Tirar o sapato, caminhar na grama ou na areia, mexer na terra e subir em uma árvore são diferentes de olhar a praia ou o gramado pela TV ou pelo computador. Uma coisa é experimentar, sentir; outra coisa é só olhar.

Já para os alunos mais velhos, pode ser acrescentada também a leitura a essa programação, pois nossos jovens precisam dar um tempo das redes sociais e enriquecer seu repertório cultural e vocabulário. Vejo a leitura como o melhor remédio para isso.

Os pré-vestibulandos devem usar seu tempo de recesso de forma organizada, planejando seu horário para estudar, ler sobre atualidades, praticar redação e desfrutar de lazer. Devem ir ao cinema, fazer esporte, ir à academia, mas não podem se esquecer dos estudos. Uma sugestão é estabelecer uma meta diária, por exemplo, de questões de suas apostilas a fazer por dia; e após o dever cumprido, realizar atividades relaxantes e desestressantes.

Se viver essas duas semanas com maior tempo livre de forma criativa, certamente o aluno voltará às aulas com mais bom humor e bem-estar. E sabemos que isso lhes trará maior produtividade e força para encarar um novo semestre.
Giselle Camargo B Teixeira